Desde criança Svetlana tinha um sonho: ser uma grande bailarina do Balé Bolshoi.
 
Um dia, Svetlana teve sua grande chance. Conseguira uma audiência com Sergei Davidovitch, mestre do Bolshoi, que estava selecionando aspirantes para a companhia.
 
Dançou como se fosse seu último dia na Terra. Colocou tudo que sentia e que aprendera em cada movimento.
 
Ao final, aproximou-se do mestre e perguntou-lhe:
- Então, o senhor acha que eu posso me tornar uma grande bailarina?
- Não – respondeu o mestre.
Na longa viagem de volta a sua aldeia, Svetlana, em meio às lágrimas, imaginou que nunca mais aquele “Não” deixaria de reverberar em sua mente.
 
Des anos mais tarde, Svetlana, já uma estimada professora de balé, criou coragem de ir à apresentação anual do Bolshoi em sua região. Sentou-se bem à frente e notou que o senhor Davidovitch ainda era o mestre.
 
Depois do concerto, aproximou-se do cavalheiro e contou-lhe quanto doera, anos atrás, ouvir-lhe dizer que não seria capaz de participar do Bolshoi.
 
- Mas, minha filha, eu digo isso a todas as aspirantes – respondeu o senhor Davidovitch.
- Como o senhor poderia cometer uma injustiça dessas? Dediquei toda minha vida! Todos diziam que eu tinha o dom. Eu poderia ter sido um sucesso se não fosse o descaso com que o senhor me avaliou.
 
Havia solidariedade e compreensão na voz do mestre, mas ele não hesitou ao responder:
- Perdoe-me, minha filha, mas você nunca poderia ter sido grande o suficiente se foi capaz de abandonar seu sonho ao ouvir o primeiro “não”.